Débora Guelfi

A neuropsicologia é uma especialidade da Psicologia, regulamentada pela Resolução 002/2004 do Conselho Federal de Psicologia. Ela atua no diagnóstico, no acompanhamento, no tratamento e na pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral.

Utiliza-se para isso de conhecimentos teóricos herdados das neurociências e pela prática clínica, com metodologia estabelecida experimental ou clinicamente. Faz uso de instrumentos especificamente padronizados para avaliação das funções neuropsicológicas envolvendo principalmente função intelectual, atenção, concentração, velocidade de processamento de informações, aprendizagem, memória, linguagem, percepção, funções executivas e visuo-motoras.

Com isso pode estabelecer parâmetros para emissão de laudos com fins clínicos, jurídicos ou de perícia; assim como complementa o diagnóstico na área do desenvolvimento e aprendizagem.

A neuropsicologia trabalha com indivíduos portadores ou não de transtornos e seqüelas que envolvem o cérebro e a cognição, utilizando modelos de pesquisa clínica e experimental, tanto no âmbito do funcionamento normal ou patológico da cognição, como também a estudando em interação com outras áreas das neurociências, da medicina e da saúde. Os objetivos práticos são levantar dados clínicos que permitam diagnosticar e estabelecer tipos de intervenção, de reabilitação particular e específica para indivíduos e grupos de pacientes em condições nas quais: ocorreram prejuízos ou modificações cognitivas ou comportamentais devido a eventos que atingiram primária ou secundariamente o sistema nervoso central; o potencial adaptativo não é suficiente para o manejo da vida prática, acadêmica, profissional, familiar ou social; foram geradas ou associadas a problemas bioquímicos ou elétricos do cérebro, decorrendo disto modificações ou prejuízos cognitivos, comportamentais ou afetivos.

Para este objetivo utiliza-se da avaliação neuropsicológica tornando-se possível quantificar e qualificar as funções cognitivas por meio de entrevistas e testes comportamentais que podem ser baterias fixas ou flexíveis e exames psicológicos bem como questionários e/ou inventários que avaliam o humor, as condições socioculturais, a qualidade de vida, entre outros.

Com a avaliação existe a possibilidade de descrever de maneira mais completa possível as capacidades cognitivas e comportamentais do avaliado identificando as funções comprometidas e os aspectos comportamentais que podem minimizar essa expressão psicopatológica. Com os dados objetivos fornecidos é possível formular hipóteses sobre o funcionamento cognitivo, atuando como auxiliar na tomada de decisões de profissionais de outras áreas, fornecendo dados que contribuam para as escolhas de tratamento medicamentoso e cirúrgico, excetuando-se as psicocirurgias, assim como em processos jurídicos nos quais esteja em questão o desempenho intelectual de indivíduos, a capacidade de julgamento e de memória. Podendo ser realizada em pacientes idosos, adultos e infantis para os diagnósticos de:

  • Desordens emocionais
  • Distúrbios de memória
  • Demências
  • TDAH
  • Inteligência
  • Afasias
  • Agrafias
  • Hipergrafias
  • Alexias
  • Apraxias
  • Acalculias
  • Agnosias
  • Assomatognosias, entre outros.

Além do diagnóstico, dentro da neuropsicologia também existe a possibilidade de Reabilitação Neuropsicológica que visa realizar as intervenções necessárias junto aos pacientes, para que possam melhorar sua qualidade de vida diária, compensar, contornar ou adaptar-se às dificuldades; além do trabalho feito junto aos familiares, para que atuem como co-participantes do processo reabilitativo; assim como junto com as equipes multiprofissionais e instituições acadêmicas e profissionais, promovendo a cooperação na inserção ou re-inserção de tais indivíduos na comunidade quando possível, ou ainda, na adaptação individual e familiar quando as mudanças nas capacidades do paciente forem mais permanentes ou a longo prazo.

Contudo, seja no diagnóstico ou na reabilitação, o neuropsicólogo também desenvolve e cria materiais e instrumentos, tais como testes, jogos, livros e programas de computador que auxiliem na avaliação e reabilitação dos pacientes. Desenvolvendo atividades em diferentes espaços como: a) instituições acadêmicas – realizando pesquisa, ensino e supervisão; b) instituições hospitalares, forenses, clínicas, consultórios privados e atendimentos domiciliares, realizando diagnóstico, reabilitação, orientação à família e trabalho em equipe multidisciplinar.

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