Adiele Marques de Souza1

Há quem não acredite, mas segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde, 4 milhões de pessoas morrem a cada ano devido a doenças causadas diretamente pelos derivados do tabaco.

Nos Estados Unidos, estudos mostram que 60% dos custos diretos de saúde vão para o tratamento de doenças relacionadas ao tabaco, chegando a uma quantia estimada de 1 milhão de dólares por dia.

A forma mais comum de nicotina é o tabaco fumado em cigarros, charutos e cachimbos. Em cigarros comuns, 0,5 mg de nicotina são liberados ao fumar-se um cigarro médio, sendo que em um adulto, doses de 60 mg são fatais. Em doses baixas, os sintomas de toxicidade por nicotina incluem vômitos, náusea, salivação, palidez, cefaléia, diarréia, aumento da pressão sangüínea, tremores, suores frios e taquicardia, dificuldade de concentração, confusão e diminuição do sono.

Engana-se quem acha que fumar cigarros “light” ou “baixos teores” traz danos menores. Essas expressões, consideradas enganosas, em breve sumirão dos maços, pois quem opta por esses produtos acaba fumando mais até satisfazer sua dependência. A cada tragada, ingere-se mais de 4.700 substâncias tóxicas, entre elas: nicotina; monóxido de carbono; alcatrão.

Os prejuízos do tabagismo no corpo: enfisema pulmonar; bronquite crônica; câncer pulmonar; câncer de bexiga; risco de abortamento fetal; úlcera gástrica; doenças cardíacas; câncer de boca e garganta; acidente vascular cerebral; associado ao anticoncepcional há risco de doenças cardíacas.

Além disso, fumar causa: mau-hálito; dentes amarelados; boca seca; aumento de catarro e tosse; cansaço físico; náuseas; favorece a formação de rugas; cefaléia; impotência sexual. Associe tudo isso a: discriminação social; perda de produtividade mental; gasto financeiro; problemas com a família e amigos.

Muitos indivíduos tentam corajosamente parar de fumar. Em países industrializados, a estimativa já chega aos 90%; no Brasil, porém cerca de 50% dos fumantes já fizeram tentativas sérias para parar de fumar, mas apenas entre 1% a 5% aproximadamente conseguem manter-se abstinentes sem uma modalidade de tratamento.

Isso mostra a real dificuldade para conseguir deixar de fumar. Alie tudo isso ainda a conseqüências psíquicas como sensação de fracasso (não consegui parar de fumar) ou de impotência, gerando assim frustração e consequentemente inibição de tentativas futuras de acabar com esse hábito.

Ao atingir o cérebro, a nicotina inicia um processo de dependência semelhante ao da cocaína, da heroína e do álcool. Em menos de 10 segundos, a nicotina causa sensações de bem estar, aumento do desempenho em tarefas específicas e alertas. Com o desenvolvimento da tolerância à substância e dependência física, aliadas a falsas crenças psicológica de que “cigarro ajuda a lidar com as frustrações da vida”, “desenvolve habilidades sociais no indivíduo” ou que “preenche vazios internos” instala-se o vício (dependência física e psicológica).

O problema é que a partir daí, quando o uso de cigarro é interrompido, pode surgir rapidamente a Síndrome de Abstinência, cujos sintomas são: irritabilidade, dificuldade de manter-se concentrado e alerta, ansiedade, aumento do apetite e peso e alguns sintomas depressivos. Se a pessoa continua abstinente, o pico destes sintomas se dá entre o 2º e o 3º dia e começam a diminuir na primeira semana. Vale ressaltar que nem todos apresentam esta sintomatologia desta maneira.

Muitos daqueles que desenvolvem a Síndrome de Abstinência acabam usando a nicotina como forma de “automedicação” para acabar com os sintomas de abstinência, e é bem aí que recaem.

Mas não são somente as pessoas fumantes que sofrem com as conseqüências do tabaco. O cigarro também é prejudicial para quem convive com a fumaça, ou seja, o fumante passivo. Ao término de um dia em um ambiente poluído pelo tabaco, os não fumantes podem ter inalado fumaça equivalente a 10 cigarros fumados, podendo inalar cerca de 400 substâncias tóxicas prejudiciais à saúde.

Em crianças são comuns problemas respiratórios, infecções do ouvido (otites), da garganta (amigdalite), asma, etc. Em gestantes ocorre o risco de abortamento fetal, nascimento de bebês prematuros e defeitos congênitos.

Neste ano, o Ministério da Saúde vem trazendo imagens chocantes nos maços de cigarros, tentando incentivar os fumantes a largarem o vício. O cerco ao fumo está cada vez mais apertado: acabaram com a publicidade sedutora e é cada vez maior a lista dos locais onde é proibido fumar. Empresas estão aderindo cada vez mais a Programas de Tratamento do Tabagismo, já que é fato comprovado que é muito mais econômico, e saudável, investir na saúde do trabalhador do que remediar as conseqüências do tabagismo, que leva a altos custos sociais, tanto em gastos com a saúde quanto em perda de produtividade e morte precoce.

Em 1990, publicou-se um relatório do Ministério da Saúde dos Estados Unidos sobre os benefícios à saúde da cessação do tabagismo, com as seguintes conclusões: (1) A cessação do tabagismo apresenta benefícios importantes e imediatos à saúde para indivíduos de todas as idades e benefícios para indivíduos com e sem doenças relacionadas ao hábito de fumar. (2) Ex-fumantes vivem mais do que aqueles que continuam fumando. (3) A cessação do hábito de fumar diminui o riso de câncer pulmonar e outros cânceres, infarto do miocárdio, doenças cérebro-vasculares e doenças pulmonares crônicas. (4) As mulheres que deixaram de fumar antes da gravidez ou durante os primeiros três ou quatro meses têm um risco menor de terem bebês com baixo peso ao nascer. (5) Os benefícios à saúde pela cessação do hábito de fumar, excedem substancialmente quaisquer riscos pelo ganho médio de peso de 2,3 kg ou quaisquer efeitos psicológicos adversas após a cessação.

Então o que fazer?

A maioria maciça dos fumantes declara que deixar de fumar não é uma tarefa nada fácil, já que o tabaco causa dependência física e psicológica. Ou seja, toda a industria produtora de cigarro e a mídia que contribuiu para formar os dependentes do cigarro não os ajuda agora de modo eficaz a pararem com esse vicio. Muitos tentam corajosamente parar por iniciativa própria, porém a grande maioria fracassa, sentindo-se ainda mais frustrados.

Baseado nisso e nos diversos males que o cigarro traz é que se criou uma modalidade de tratamento efetivo.

Como funciona?

A equipe é constituída por profissionais da área médica e psicológica devidamente treinada especializada a tratar o tabagismo.

Primeiramente é feito um diagnóstico de cada paciente. Após, trabalha-se a auto-estima e a motivação de cada um. Depois disso ocorre a abstinência e posterior prevenção de recaída, com várias técnicas, incluindo: controle de abstinência; administração de estresse; controle de ansiedade e mudança de hábitos de vida.

Cada paciente é visto de forma individualizada, participando de forma ativa de todo o processo e não apenas se submetendo a ele, enfatizando o tempo todo a promoção da saúde em todos os seus níveis.


1Psicóloga Clínica formada pela PUCPR

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