Síndrome do pânico - tratamento curitiba
O que é

André Astete

Quadro ansioso caracterizado por ataques de Pânico que se repetem com frequência suficiente para causar perda da qualidade de vida e sofrimento psíquico ou sistêmico.

Sintomas
Os ataques de Pânico são crises súbitas e espontâneas de temor ou apreensão, de rápida instalação e duração acompanhadas de vários sintomas físicos, entre eles:

  • Taquicardia
  • Falta de ar, sensação de asfixia ou “fechamento da garganta”
  • Tremor
  • Formigamento ou amortecimento em partes do corpo
  • Dor torácica
  • Dor abdominal ou náusea
  • Vertigem, desequilíbrio ou desmaio iminente
  • Calafrios ou ondas de calor
  • Medo de morrer ou perder a razão
  • Sensações de estranhamento do ambiente ou de si próprio

É bastante curioso como certas doenças se tornam conceitos populares amplamente conhecidos pelo cidadão e presentes nos meios de comunicação. Algumas vezes, isso se explica por tratar-se de doenças graves ou epidêmicas, como a meningite, o que sempre terá lugar no arsenal de pesadelos das pessoas. Outras vezes, isso se dá em conseqüência do esforço de médicos e organismos de saúde em divulgar informações de interesse epidemiológico, que poderão promover a saúde geral dos cidadãos, como a Hipertensão Arterial e o Diabetes.

Nenhuma das explicações anteriores se aplica adequadamente à popularidade da “Síndrome do Pânico”. Desde que os médicos passaram a realizar tal diagnóstico na década de 80, por influência da psiquiatria norte americana, o “Pânico” tomou rapidamente o lugar da depressão como referência de doença psiquiátrica não hospitalar, diferenciada das diversas formas de “loucura” popularmente relacionadas ao ambiente hospitalar especializado. E pode-se dizer que em parte isto se deva ao infeliz hábito dos psiquiatras de batizar doenças com palavras do uso comum. O real conceito de “Síndrome do Pânico” difere, no entanto, do popularizado nos últimos anos. Trata-se de uma doença ansiosa, diferenciada da depressão, caracterizada por “ataques de pânico” que se repetem com freqüência, o que habitualmente leva o paciente a desenvolver crônica insegurança e se tornar limitado em diversos níveis. Os ataques de pânico são a manifestação mais importante, que realmente autoriza o médico a fazer o diagnóstico. Esses “ataques” são verdadeiras crises ansiosas, que ocorrem subitamente e sem explicação aparente, caracterizadas pela presença de intenso mal estar físico como falta de ar, palpitação, tontura, formigamento ou amortecimento de partes do corpo e tremor. Estes e outros sinais se desenvolvem em minutos e tendem a chegar a um ápice e decair lentamente, deixando uma sensação de fadiga. Trata-se de uma manifestação ansiosa por acompanhar a ocorrência inexplicável de intenso alarme, porém a maior parte dos pacientes tende a se impressionar e recordar de forma mais nítida os sintomas físicos do que os sinais de ansiedade, normalmente percebidos por quem atende o paciente.

Um ataque de pânico não é diferente do que ocorre naturalmente em situações de intenso e real perigo, como um atropelamento iminente, do qual escapamos por um reflexo. Em tais situações, sentimos conseqüências corporais do “susto” como a taquicardia ou o tremor, e poder reagir desta forma funciona como um “alarme de intenso perigo” que nos ajuda a reagir rapidamente e freqüentemente nos salva. Porém, tal como ocorre com alarmes de segurança, o alarme ansioso pode disparar espontaneamente, durante uma atividade banal que realizamos sem nenhum estresse. E isso é uma manifestação patológica de medo que chamamos de “ataque”.

Os ataques de pânico podem ocorrer uma ou duas vezes na vida de qualquer pessoa, sem que isto signifique a presença de qualquer doença. É um acidente de funcionamento do cérebro, da mesma forma que uma falha de cálculo ao coordenar um movimento que leva a pessoa a tropeçar e cair, não é sinal de uma doença neurológica, caso não se repita constantemente. É comum observar ataques de pânico mensais ou quinzenais em pacientes deprimidos, porém o desânimo e a tristeza ou irritabilidade constantes, a insônia ou a fadiga, entre outros, são sinais de que a doença real é um quadro depressivo onde ocorrem ataques ansiosos.

Nos pacientes com a Síndrome do Pânico não deve haver sinais anteriores ou intensos de depressão, os ataques são muito freqüentes (diários ou 3 a 4 vezes por semana) e a conseqüência mais comum é o desenvolvimento de agorafobia, nome técnico da insegurança causada pelo temor de passar mal que leva a pessoa a evitar sair sem companhia conhecida ou enfrentar locais ou situações que lembrem sintomas dos ataques, como lugares abafados para quem costuma experimentar falta de ar nas crises.

A Síndrome do Pânico, apesar de menos freqüente que a depressão, é de ocorrência comum, parece atingir entre 1 a 3% dos adultos. É provavelmente uma manifestação de desregulação dos sistemas cerebrais responsáveis pela produção da sensação de medo, o que envolve a atividade de neurotransmissores como a serotonina e a adrenalina, e tal disfunção tem causa desconhecida. Não parece haver uma relação real com traumas e nem é preciso haver um caráter ansioso ou neurótico para seu desenvolvimento. Os primeiros ataques costumam se manifestar entre os 15 e 35 anos, e, uma vez manifestos, tendem a recorrer em períodos múltiplos ao longo de toda a vida, alternados com fases de poucos ataques.

Tratamento

Muitos tratamentos são eficazes para o controle da doença, sendo os antidepressivos o tratamento mais empregado atualmente. Apesar da ênfase inicial no uso de ansiolíticos (calmantes), antidepressivos como a imipramina (empregada pelos criadores do conceito de síndrome do pânico) mostraram-se igualmente eficazes, apesar de mais lentos no início da ação, e oferecem maior segurança no uso de longo prazo. Antidepressivos tendem a agir seletivamente sobre os ataques de pânico, tornando-os menos intensos e menos frequentes até seu bloqueio completo, sendo o início de suas ações perceptível entre a 2ª e a 4ª semanas, alcançando estabilidade na 6ª semana. Tal efeito ocorre aparentemente com todos os antidepressivos, mas foi mais bem documentado com antidepressivos tricíclicos (como a imipramina e a clomipramina), inibidores da recaptura da serotonina (como a fluoxetina) e inibidores da monoaminoxidase (como a tranilcipromina). Calmantes da classe dos benzodiazepínicos ainda são úteis no tratamento do pânico, sendo empregados nas primeiras semanas do tratamento em casos em que os ataques são intensos e muito freqüentes, até que os efeitos dos antidepressivos se manifestem.

Paralelamente aos métodos medicamentosos alguns recursos psicoterápicos se revelaram valiosos no tratamento do pânico e da agorafobia. Foram as técnicas psicoterápicas Cognitivo-Comportamentais as mais bem sucedidas até o momento. Tratamentos comportamentais como a exposição são empregados no tratamento da agorafobia, com bons resultados para a maioria dos pacientes. Para pacientes com ataques de pânico pouco intensos e que não queiram usar antidepressivos, a exposição interoceptiva pode ser empregada isoladamente para o controle das crises ou para melhorar a tolerância a elas. Acredita-se que o aprendizado de técnicas de enfrentamento ansioso possam ser um fator preventivo a longo prazo para pacientes que manifestem tendência a recaída freqüente nas tentativas de retirada do antidepressivo (que se realiza habitualmente após 6 a 12 meses de estabilidade) ou para pacientes tratados sem drogas.

Todos os trabalhos científicos até o momento apontam o pânico como uma doença de bom prognóstico, especialmente se tratada precocemente. Porém, é preciso lembrar, trata-se de uma doença crônica que demanda orientação terapêutica cuidadosa e compreensão por parte do paciente da necessidade de assumir uma atitude de constante dedicação às necessidades terapêuticas e preventivas.

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