Ansiedade
O que é

André Astete

Um dos fatos mais relevantes para a evolução dos seres vivos foi o desenvolvimento de um conjunto de atividades neurais cuja finalidade é induzir o indivíduo a exibir comportamentos de defesa. Tão importantes são as funções defensivas que fica evidente porque a natureza considerou preferível que tais comportamentos tivessem seu acionamento facilitado por mecanismos especiais. O mecanismo defensivo mais antigo e importante nos animais superiores é o da dor. A dor normalmente é acionada por estímulo direto de estruturas nervosas distribuídas pelo corpo no momento que ocorre uma lesão, ferimento ou um processo inflamatório. O sinal captado pelas estruturas de percepção dolorosa se transmite e se transforma, no cérebro, em uma sensação intensamente estressante, que pode atingir níveis insuportáveis e sempre é acompanhada de reações somáticas características. Sua finalidade é induzir uma reação imediata de fuga ou afastamento e é bastante eficiente para limitar danos físicos que já estejam ocorrendo.

O segundo mecanismo defensivo mais antigamente organizado é a aversão. Por não necessitar do contato físico para ser desencadeada, a aversão se revela um mecanismo de defesa de características mais seguras que a dor, e tem um caráter mais preventivo. Reações aversivas são desencadeadas através dos processos sensoriais especiais, como a visão, olfato, paladar e, em menor escala, audição e tato; ocorrem quando tais modalidades perceptivas permitem ao animal reconhecer a presença de elementos potencialmente danosos à sua integridade, seja por risco de contaminação ou envenenamento, cujo reconhecimento é geneticamente determinado. Estímulos sensoriais muito intensos, uma vez que são freqüentemente associados a risco de dano, também desencadeiam aversão. Na experiência comum, reconhecemos uma reação aversiva quando sentimos “nojo” ou qualquer outra sensação perceptiva intensamente desagradável. Os mecanismos aversivos são eficientes para evitar que ocorra ou se prolongue o contato de um animal com situações instintivamente percebidas como fonte de risco e com as quais ele já está se defrontando, ou seja, às vésperas de sofrer um dano.

O terceiro mecanismo defensivo, em ordem de aparecimento na evolução das espécies, trata-se da Ansiedade que, como podemos imaginar, é um aperfeiçoamento dos mecanismos mais antigos e com eles se relaciona e se assemelha. Assim como a dor, a ansiedade é capaz de desencadear intensas reações de estresse e, como ela, é acompanhada de inevitáveis reações físicas. Da mesma forma que com a aversão, a ansiedade pode ser desencadeada pelo reconhecimento de um fato instintivamente considerado como risco, antes que haja contato físico. A ansiedade também induz o afastamento do animal de situações de risco, como os outros mecanismos, porém o faz com ainda maior eficiência e de forma ainda mais preventiva e tem a capacidade de se aperfeiçoar pelo aprendizado, não sendo tão dependente de condições pré-determinadas ou instintivas. Diferente de outros mecanismos, a ansiedade trata do risco futuro, ou seja, dos fatos antes que eles sejam realmente enfrentados. Sendo intensamente capaz de influenciar o cérebro, uma vez desencadeada, obriga a consciência a se ocupar de hipóteses de risco relacionadas com a situação analisada e a elaborar estratégias de defesa e prevenção que guiam o comportamento. Nenhum pensamento ou instinto é capaz de se sobrepor com facilidade à ansiedade, porém, em intensidade leve a ansiedade pode permitir um funcionamento mental simultâneo em vários temas, funcionando como uma espécie de “monitor”.

A ansiedade é reconhecida claramente quando percebemos uma sensação melhor definida como medo, porém nem sempre a sentimos assim. “Agonia”, “pavor”, “angústia”, “afobação” e inúmeras modalidades tensionais podem ser manifestações de ansiedade. Quando experimentamos ansiedade, percebemos reações somáticas de várias naturezas e intensidades, sendo as mais comuns a tensão muscular, o tremor, o suor das mãos, axilas ou pés, o desconforto respiratório ou no peito, às vezes chegando à dor, a vertigem, dor abdominal, arrepios e vontade de evacuar ou urinar, entre outros. A ansiedade nos faz procurar evidencias de que corremos risco de sofrer ferimentos, asfixia, ficar mortalmente doentes, sermos atacados por outros seres humanos ou animais, sentir dor ou aversão, sofrer infortúnio (perdas ou privações) ou sermos socialmente rejeitados e excluídos, o que para animais que vivem em grupos pode significar morrer devido ao abandono.

São reconhecidos dois padrões de manifestação e desencadeamento da ansiedade: as reações de pânico e as de ansiedade tônica. O pânico é um mecanismo de acionamento ultra-rápido do sistema ansiogênico, quase um reflexo, e é provocado em situações de extrema urgência, de natureza súbita ou inesperada, ou quando nos percebemos muito proximamente expostos a riscos para os quais estamos geneticamente predispostos a temer intensamente. Caso não seja inibida por esforço voluntário, o que exige treinamento, a reação de pânico nos induz a nos defender usando padrões de comportamento instintivos como gritar, correr, debater-se ou ainda, simular estar morto ou morrendo; todos estes comportamentos são acompanhados de intensa reação corpórea. A ansiedade tônica é um mecanismo mais lento, porém mais elaborado e na maioria das vezes mais efetivo. É desencadeada pela percepção da possibilidade de risco grave, de forma muito antecipada ao fato, ou pelo defrontamento com risco moderado. A ansiedade tônica produz reações físicas mais moderadas e permite ao cérebro selecionar estratégias de defesa aprendidas ou mesmo criar novas se for necessário. Sua principal característica é a capacidade de gerar posturas adaptativas, sendo, portanto, responsável por um grande aumento da eficiência do comportamento de um animal e mesmo do ser humano, e essencial para sua sobrevivência e qualidade de vida.

Apesar de ser evidentemente vantajosa e saudável, a ansiedade pode se desregular e tornar-se certas formas de doença. Nesses casos, quando reconhecemos a presença de ansiedade patológica, esta passa a se manifestar em ocasiões e intensidade inadequadas, ou de forma desadaptativa, produzindo antes desvantagem do que vantagens e por isto considerada doença. Entre as formas de ansiedade patológica encontramos doenças como a Síndrome do Pânico, o Transtorno de Ansiedade Generalizada (preocupação patológica), as Fobias, o Transtorno de Ansiedade Social (timidez patológica), o Transtorno de Estresse Pós Traumático e o Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Tratamento

Alguns dos tratamentos usados para tratar transtornos de ansiedade são:

Terapia comportamental cognitiva – É uma forma de psicoterapia onde se ajuda o paciente a ter consciência dos mecanismos de funcionamento do seu temor e a mudar os padrões de pensamentos para reduzir e lidar melhor com as ansiedades e os medos.

Medicação – vários medicamentos encontram-se disponíveis para aliviar os sintomas de ansiedade sendo os mais empregados os antidepressivos e os ansiolíticos benzodiazepínicos.

Terapia combinada – uma combinação de medicação e terapia comportamental cognitiva.

Biofeedback – técnicas para aumentar o controle da ansiedade através da medição das respostas físicas, tais como tensão muscular ou frequência do pulso (a freqüência do pulso dá uma indicação da freqüência em que o coração está batendo, seu coração tende a bater mais rápido quando você está ansioso).

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