COMO SE RECONHECE UM DEPENDENTE DE DROGAS?

Adiele Marques de Souza1

A relação abaixo serve como referência das possíveis alterações de comportamento de um adolescente que entra em contato com as drogas:

  • Paranóia vaga.
  • Negligência à aparência pessoal.
  • Recusa na execução de tarefas.
  • Aumento nos atritos com outras pessoas, irritabilidade, mau humor.
  • Atitude hipersensível no que se refere a leves críticas.
  • Pensamento desordenado ou fragmentado, perda da memória.
  • Significante enfraquecimento no desempenho escolar.
  • Apatia, diminuta energia, síndrome de desinteresse.
  • Aumento do apetite (normalmente no usuário de maconha).
  • Mudança de atividade, normalmente de interesse competitivos para PASSIVIDADE e RETRAIMENTO.
  • Mudanças brutas de humor, explosões de raiva sem motivo e uso de palavras abusivas.
  • Perda de peso e apetite (a cocaína provoca aumento na liberação de serotonina neurotransmissor que inibe o apetite).
  • Sangramento nasal - o uso de cocaína estimula a produção de substâncias com dopamina e noradrenalina no cérebro, que aumentam a pressão arterial, ocasionando o rompimento de pequenas veias e artérias.
  • Diminuição no relacionamento afetuoso com a família, maior indiferença quanto aos sentimentos dos outros.
  • Síndrome persecutória - a cocaína causa um curto-circuito no sistema límbico (que comanda as emoções) e no córtex (responsável pelas funções psíquicas), o que pode ocasionar delírios.
  • Insônia (dependentes de anfetaminas).
  • Sinais de picadas nos braços.
  • Tendência ao suicídio.

TRATAMENTO

Embora os efeitos iniciais em geral sejam euforia e animação, quase todas as drogas causam dependência física e psicológica, assim como efeitos no corpo que as tornam indesejáveis. Quando quem usa drogas deixa de ser apenas um usuário ocasional e se transforma em um viciado (dependente químico), vivendo os transtornos e riscos causados pelo uso abusivo de drogas, é hora (ou já se passou da hora) de se iniciar um tratamento.

Para superar o vício, o dependente precisa, antes de tudo, querer. Mas, se não houver uma vontade por parte do usuário, a intervenção familiar é bem-vinda e, em muitas vezes, consegue sucesso. Instituições de todos os tipos entram nessa batalha de cura.

Os Narcóticos Anônimos, uma das mais conhecidas instituições, estabelecem passos básicos para o tratamento do usuário de drogas. Esses "passos" incluem a admissão de que existe um problema, a busca de ajuda, auto-avaliação, partilha do problema preservando a identidade do dependente, reparação de danos causados pelo dependente e trabalho com outros usuários de drogas que queiram se recuperar.

Os Narcóticos Anônimos são apenas uma organização entre muitas que tratam de problemas de drogas. O sucesso do tratamento é individual. Os dependentes devem procurar a melhor forma para superar o vício. O que todas as organizações ressaltam é que deve haver uma vontade genuína por parte do usuário em parar o consumo das drogas, pois de nada adianta o usuário se "desintoxicar" para depois, quando voltar à sua vida normal, cair novamente no vício.

Existem muitos tipos de dependências e o tratamento para cada uma delas é diferente. O tratamento também varia dependendo das características do paciente. Problemas mentais, ocupacionais, de saúde, ou sociais, que tornam as pessoas dependentes dificultam ainda mais o tratamento.

Existe uma variedade de programas desenvolvidos para o tratamento de dependência de drogas. O tratamento pode incluir a terapia comportamental e medicamentos. As terapias comportamentais oferecem às pessoas estratégias para serem usadas nas crises de ausência da droga. Ensinam aos usuários meios de abandonar a droga e de evitar recaídas, e ajudam a lidar com as recaídas caso elas ocorram.

Os melhores programas juntam uma combinação de terapias e outros serviços para atingir as necessidades individuais do paciente que são ajustadas de acordo com a idade, raça, cultura, orientação sexual, gravidez, parentesco, moradia e emprego.

Medicamentos como antidepressivos, calmantes, ou neurolépticos podem ser eficientes para o sucesso do tratamento quando os dependentes apresentarem também confusões mentais como depressão, ansiedade, confusão bipolar ou psicose. O uso de medicamentos depende, no entanto, das orientações dadas pelo profissional ou instituição que está cuidando da reabilitação do dependente. O tratamento pode se desenvolver em várias etapas, de várias maneiras e por diferentes períodos de tempo.

POR QUE O PROCESSO DE TRATAMENTO É DEMORADO?

Pesquisas mostram que o uso contínuo da droga causa modificações significantes nas funções cerebrais que persistem por muito tempo depois que o indivíduo pára de usar a droga. Para pacientes internados ou não, o tratamento deve ter, em geral, a duração de 90 dias. Mas, tratamentos mais prolongados são indicados. Para a manutenção, um tratamento de 12 meses é o mínimo necessário.

O entendimento que o vício tem tal componente biológico é importante para ajudar a explicar a dificuldade que a pessoa tem de atingir e manter a abstinência sem tratamento. E revela o motivo do processo de tratamento do vício precisar de um longo período. Muitas instituições consideram, inclusive, que o tratamento de um dependente químico dura para o resto de sua vida.

QUAL O OBJETIVO DO TRATAMENTO?

Além de fazer com que o usuário abandone o uso de drogas, o êxito do tratamento leva a pessoa de volta às funções normais da família, do lugar de trabalho e da comunidade. O processo do tratamento individual depende da extensão e da natureza dos problemas apresentados pelo paciente e da participação ativa do paciente no tratamento.

PREVENÇÃO

  • Primária: evitar o uso experimental;
  • Secundária: diminuir o uso regular e evitar o uso abusivo;
  • Terciária: tratamento e a reabilitação do usuário de drogas.

OS PRINCIPAIS BENEFÍCIOS DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE DROGAS PARA ADULTOS BEM REALIZADO SÃO:

  1. Prevenção do abuso de drogas;
  2. Aumento de renda;
  3. Redução do comportamento criminoso;
  4. Encurtamento do tempo de desemprego;
  5. Diminuição do abuso infantil ou negligência;
  6. Decréscimo da taxa de uso dos serviços de saúde;
  7. Redução da necessidade da Previdência Social.

Apesar do uso de álcool e drogas ser atividade muito antiga, seu tratamento tem menos de dois séculos de história. Álcool e drogas podem causar uma série de problemas para o indivíduo, sendo a dependência e o abuso os problemas mais conhecidos. Tratamento para problemas vindos do consumo de álcool e drogas é a reabilitação ou recuperação do indivíduo. Esta recuperação inclui a redução (ou interrupção total – abstinência) do uso, ao mesmo tempo em que deve ajudar o indivíduo a restabelecer os prejuízos resultantes do consumo, como problemas com família, trabalho, escolaridade, estado físico e psicológico, perda de relacionamentos, envolvimento com atividades ilegais, etc. A reabilitação do indivíduo pode incluir várias formas de tratamento e profissionais de diferentes áreas (médico, psicólogo, assistente social, aconselhamento, participação em grupo de mútua-ajuda etc.) de acordo com as necessidades e os prejuízos de cada indivíduo.

ASPECTOS MÉDICO-LEGAIS

Toxicômanos:

Acidentais: Chegam ao vício ocasionalmente pelas más companhias ou influências.

Constitucionais: São inseguros e fracos e encontram no tóxico as respostas às frustrações e angústias.


1Psicóloga Clínica formada pela PUCPR